O RIO DE JANEIRO É O RETRATO DO BRASIL

25 Jul 2017 Claudia Tonaco Diário de Bordo Nenhum comentário

O turista é, antes de tudo, um consumidor antenado, que está em busca não apenas do custo-benefício, como também de um lugar seguro

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) publicou um estudo mostrando que os altos índices de violência no Rio de Janeiro foram responsáveis por uma queda de R$ 320 milhões nas receitas do turismo do estado. Para se ter uma ideia, R$ 320 milhões equivale a quase 50% do faturamento do setor, entre os meses de janeiro a abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016.

A análise se baseou em pontos como: o impacto da criminalidade, o desemprego que afeta o consumo, a perda de receita que faz o mercado de trabalho retrair e o aumento das viagens para o exterior. De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, de abril de 2016 a abril de 2017, houve um aumento de 6,4% em ocorrências criminais registradas no estado. Isso, em média. Já ações como roubos em transporte coletivos ou roubos de aparelhos celulares cresceram mais de 70%.

Para Alexandre Sampaio, presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC, “a violência afeta o turismo, porque dilapida a imagem do Rio de Janeiro”. E completa: “O próprio brasileiro não quer mais visitar o Rio”. A crise pela qual passa o estado atingiu, consequentemente, o mercado de trabalho local, limitando a capacidade de consumo de serviços turísticos. A queda de ocupação nos hotéis se mostrou compatível com as perdas de receita nos últimos meses, segundo o estudo da CNC.

Por fim, a queda de aproximadamente 10% na taxa de câmbio voltou a estimular os brasileiros a viajarem para o exterior. De acordo com o Banco Central, nos cinco primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2016, houve uma retração de 2,6% nos gastos com o turismo doméstico e um crescimento de 41,4% nas despesas com viagens para fora do Brasil.

O turista é, antes de tudo, um consumidor antenado, que está em busca não apenas do custo-benefício, como também de um lugar seguro e com serviços de qualidade para usufruir durante as férias. O problema não é o brasileiro optar em viajar para o exterior. O problema é o Brasil não oferecer condições para seus próprios habitantes usufruírem de segurança, bons preços e serviços de qualidade em seu próprio país. Ironicamente, o Rio de Janeiro, que já foi o principal portão de entrada do turismo nacional, é o retrato da crise que assola esta terra.


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